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INTRODUO
GERAL
- nota da ledora: dois teros da pgina  ocupado pela fotografia de um quadro, 
com uma ma,  pintada, e a legenda em frans: Ceci nest pas une pomme. - fim 
da nota da ledora. 
O ttulo deste quadro de Ren Magritte - Isto no  uma ma (1964) - destaca o 
fato de que a sua obra constitui uma mera representao pictrica da realidade, 
no devendo ser confundida com a prpria fruta.
Nesta introduo, estudaremos, entre outros tpicos, o signo lingustico, a 
representao verbal dos elementos do mundo. Tais signos devem ser combinados 
segundo regras convencionais para cumprir sua misso comunicativa.

1. Lngua: CONCEITOS  BSICOS
Na origem de toda a atividade comunicativa do ser humano esta a linguagem, que 
 a capacidade de se comunicar por meio de uma lngua. Lngua  um sistema de 
signos convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade. Em 
outras palavras: um grupo social convenciona e utiliza um conjunto organizado 
de elementos representativos.

Um signo lingstico  um elemento representativo que apresenta dois aspectos: 
um significante e um significado, unidos num todo indissolvel. Ao ouvir a palavra 
rvore, voc reconhece os sons que a formam. Esses sons se identificam com a 
lembrana deles que esta presente em sua memria. Essa lembrana constitui 
uma verdadeira imagem sonora, armazenada em seu crebro -  o significante do 
signo rvore. Ao ouvir essa palavra, voc logo pensa num "vegetal lenhoso cujo 
caule, chamado tronco, s se ramifica bem acima do nvel do solo, ao contrrio do 
arbusto, que exibe ramos desde junto ao solo". Esse conceito, que no se refere a 
um vegetal particular, mas engloba uma ampla gama de vegetais,  o significado 
do do signo rvore - e tambm se encontra armazenado em seu crebro.

Ao empregar os signos que formam a nossa lngua, voc deve obedecer a certas 
regras de organizao que a prpria lngua lhe oferece. Assim, por exemplo,  
perfeitamente possvel antepor-se ao signo rvore o signo uma, formando a 
seqncia uma rvore. J a sequncia um rvore contraria uma regra de 
organizao da lngua portuguesa, o que faz com que a rejeitemos. Perceba, pois, 
que os signos que constituem a lngua obedecem a padres determinados de 
organizao. O conhecimento de uma lngua engloba no apenas a identificao 
de seus signos, mas tambm o uso adequado de suas regras combinatrias.

Como a lngua  um patrimnio social, tanto os signos como as formas de 
combin-los so conhecidos e acatados pelos membros da comunidade que a 
emprega. Individualmente, cada pessoa pode utilizar a lngua de seu grupo social 
de uma maneira particular, personalizada, desenvolvendo assim a fala (no 
confunda com o ato de falar; ao escrever de forma pessoal e nica voc tambm 
manifesta a sua fala, no sentido cientfico do termo). Por mais original e criativa 
que seja, no entanto, sua fala deve estar contida no conjunto mais amplo que  a 
lngua portuguesa; caso contrrio, voc estar deixando de empregar a nossa 
lngua e no ser mais compreendido pelos membros da nossa comunidade.

Estudar a lngua portuguesa  tornar-se apto a utiliz-la com eficincia na 
produo e interpretao dos textos com que se organiza nossa vida social. Por 
meio desses estudos, amplia-se o exerccio de nossa sociabilidade - e, 
consequentemente, de nossa cidadania, que passa a ser mais lcida. Ampliam-se 
tambm as possibilidades 
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12 INTRODUO GERAL
- nota da ledora: quadro em destaque na pgina: 
Linguagem - capacidade humana de comunicar por meio de uma lngua. Lngua - 
coniunto de signos e formas de combinar esses signos partilhado pelos membros 
de uma comunidade. Signo - elemento representativo; no caso do signo 
lingustico,  a unio indissolvel de um significante e um signinificado. Fala - uso 
individual da lngua, aberto  criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de 
compreenso e expresso.
- nota da ledora: fim da nota e do  quadro de destaque, na pgina. 

dades de fruio dos textos, seja pelo simples prazer de saber produzi-los de 
forma bem-feita, seja pela leitura mais sensvel e inteligente dos textos literrios. 
Conhecer bem a lngua em que se vive e pensa  investir no ser humano que voc 
.

2. Lngua:  UNIDADE E VARIEDADE
Vrios fatores podem originar variaes lingusticas:
 a) geogrficos - h variaes entre as formas que a lngua portuguesa assume nas 
diferentes regies em que  falada. Basta pensar nas evidentes diferenas entre o 
modo de falar de um lisboeta e de um carioca, por exemplo, ou na expresso de 
um gacho em contraste com a de um mineiro, como observamos nos anncios 
abaixo. Essas variaes regionais constituem os falares e os dialetos.
- nota da ledora: na pgina, dois desenhos de propaganda de um Guia da Fiat, um 
dirigido ao Rio Grande do Sul, com o seguinte texto :   um baita guia , Tch; o outro, 
dirigido a Minas Gerais, com o seguinte texto : Estava na hora de Minas ter um trem 
destes. - fim da nota da ledora.  


b) sociais -  o portugus empregado pelas pessoas que tm acesso  escola e aos 
meios de instruo difere do portugus empregado pelas pessoas privadas de 
escolaridade. Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de lngua que 
goza de prestgio, enquanto outras so vitimas de preconceito por empregarem 
formas de lngua menos prestigiadas. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade de 
lngua  a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e cujo 
domnio  solicitado como forma de ascenso profissional e social. O idioma , 
portanto, um instrumento de dominao e discriminao social.
Tambm so socialmente condicionadas certas formas de lngua que alguns 
grupos desenvolvem a fim de evitar a compreenso por parte daqueles que no 
fazem parte do grupo.


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INTROOUO GERAL
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O emprego dessas formas de lngua proporciona o reconhecimento facil dos 
integrantes de uma comunidade restrita, seja um grupo de estudantes, seja uma 
quadrilha de contrabandistas. Assim se formam as grias, variantes lingusticas 
sujeitas a contnuas transformaes.
c) profissionais - o exerccio de algumas atividades requer o domnio de certas 
formas de lngua chamadas lnguas tcnicas. Abundantes em termos especficos, 
essas variantes tm seu uso praticamente restrito ao intercmbio tcnico de 
engenheiros, mdicos, qumicos, linguistas e outros especialistas.

d) situacionais  em diferentes situaes comunicativas, um mesmo indivduo 
emprega diferentes formas de lngua. Basta pensar nas atitudes que assumimos 
em situaes formais (por exemplo, um discurso numa solenidade de formatura> 
e em situaes informais (uma conversa descontrada com amigos, por exemplo). 
A fala e a escrita tambm implicam profundas diferenas na elaborao de men-
sagens. A tal ponto chegam essas variaes, que acabam surgindo dois cdigos 
distintos, cada qual com suas especificidades: a lngua falada e a lngua escrita.
- nota da ledora: quadro em destaque, na pgina, ilustrado com uma caricatura de 
Fernando Pessoa, por Loredano. - fim da nota da ledora. 
A lngua literria : Quando o uso da lngua abandona as necessidades estritamente 
prticas do cotidiano comunicativo e passa a incorporar preocupaes estticas, 
surge a lngua literria. Nesse caso, a escolha e a combinao dos elementos 
lingusticos, subordinam-se a atividades criadoras e imaginativas. Cdigo e mensagens 
adquirem uma importncia elevada, deslocando o centro de interesse para aquilo que a 
lngua  em detrimento daquilo para que ela serve. Isso ocorre, por exemplo, nos 
seguintes versos de Fernando Pessoa:	  
"O mito  o nada que  tudo. 
 O mesmo sol que abre os ceus
  um mito brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo."


3. HISTRIA E GEOGRAFIA DA LNGUA PORTUGUESA: 
A formao, o desenvolvimento e a expanso da lngua portuguesa esto 
obviamente vinculados  histria dos povos que a criaram e ainda hoje a 
empregam e transformam.
O portugus  uma lngua neolatina, novilatina ou romnica, pois foi formado a partir 
das transformaes verificadas no latim levado pelos dominadores romanos  
regio da Pennsula Ibrica. Em seu desenvolvimento histrico, podem ser 
apontados os seguintes perodos:
a) protoportugus - do sculo IX ao sculo XII. A documentao desse perodo  
muito rara: so textos redigidos em latim brbaro, nos quais se encontram 
algumas palavras portuguesas;

b) portugus histrico - do sculo XII aos dias atuais. Esse perodo subdivide-se em 
duas fases:

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- fase arcaica: do sculo XII at ao sculo XV. Nessa fase, houve inicialmente uma 
lngua comum ao noroeste da Pennsula Ibrica (regies da Galiza e norte de 
Portugal), o galego-portugus ou galaico-portugus, fartamente documentado em 
textos que incluem uma literatura de elevado grau de elaborao (a lrica galego-
portuguesa). Com a separao poltica de Portugal e sua posterior expanso para 
o sul, o portugus e o galego se foram individualizando, transformando-se o 
primeiro numa lngua nacional e o segundo num dialeto regional.
- fase moderna: do sculo XVI aos dias atuais. Devemos distinguir o portugus 
clssico (sculos XVI e XVII) do portugus ps-clssico (do sculo XVIII aos nossos 
dias). Na poca do portugus clssico, tiveram incio os estudos gramaticais e 
desenvolveu-se uma extensa literatura, em grande parte influenciada por modelos 
latinos. No perodo ps-clssico, a lngua comeou a assumir as caractersticas 
que hoje apresenta.
A partir do sculo XV, as navegaes portuguesas iniciaram um longo processo 
de expanso lingustica. Durante alguns sculos, a lngua portuguesa foi sendo 
levada a vrias regies do planeta por conquistadores, colonos e emigrantes. 
Atualmente, a situao do portugus no mundo  aproximadamente a seguinte:
a) em alguns pases,  a lngua oficial, o que lhe confere unidade, apesar da 
existncia de variaes regionais e da convivncia com idiomas nativos. Incluem-
se nesse caso o Brasil, Portugal, Angola, Moambique, Guin-Bissau, Cabo 
Verde, So Tom e Prncipe.
b) em regies da sia (Macau, Goa, Damo, Diu) e da Oceania (Timor),  falado por 
uma pequena parcela da populao ou deu origem a dialetos.

- nota da ledora: nesta pgina, representao cartografica, dos pases que falam 
portugus, - fim da nota da ledora.  
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4. Gramtica  uma palavra de origem grega formada a partir de grmma, que quer 
dizer letra. Originalmente, Gramtica era o nome das tcnicas de escrita e leitura. 
Posteriormente, passou a designar o conjunto das regras que garantem o uso 
modelar da lngua  a chamada Gramtica normativa, que estabelece padres de 
certo e errado para as formas do idioma. Gramtica tambm , atualmente, a 
descrio cientfica do funcionamento de uma lngua. Nesse caso,  chamada de 
Gramtica descritiva.

A Gramtica normativa estabelece a norma culta, ou seja, o padro lingustico que 
socialmente  considerado modelar e  adotado para ensino nas escolas e para a 
redao dos documentos oficiais.
H lnguas que no tm forma escrita, como algumas lnguas indgenas 
brasileiras. Nesses casos, o conhecimento lingustico  transmitido oralmente. As 
lnguas que tm forma escrita, como  o caso do portugus, necessitam da 
Gramtica normativa para que se garanta a existncia de um padro lingustico 
uniforme no qual se registre a produo cultural. Conhecer a norma culta , 
portanto, uma forma de ter acesso a essa produo cultural e  linguagem oficial.


DIVISO DA GRAMTICA

Divide-se a Gramtica em:
a) Fonologia - estuda os fonemas ou sons da lngua e a forma como esses 
fonemas do origem s slabas. Fazem parte da Fonologia a ortoepia ou ortopia 
(estudo da articulao e pronncia dos vocbulos), a prosdia (estudo da 
acentuao tnica dos vocbulos) e a ortografia (estudo da forma escrita das 
palavras).

b) Morfologia  estuda as palavras e os elementos que as constituem. A Morfologia 
analisa a estrutura, a formao e os mecanismos de flexo das palavras, alm de 
dividi-las em classes gramaticais.

c) Sintaxe - estuda as formas de relacionamento entre palavras ou entre oraes. 
Divide-se em sintaxe das funes, que estuda a estrutura da orao e do perodo, 
e sintaxe das relaes, a qual inclui a regncia, a colocao e a concordncia.


Morfossintaxe
A classificao morfolgica de uma palavra s pode ser feita eficientemente se se 
observar sua funo nas oraes. Esse fato demonstra a profunda interligao 
existente entre a morfologia e a sintaxe.  por isso que se tem preferido falar 
atualmente em morfossintaxe, ou seja, a apreciao conjunta da classificao 
morfolgica e da funo sinttica das palavras. O enfoque morfossinttico da 
lngua portuguesa ser prioritrio neste livro, uma vez que facilita a compreenso 
de muitos mecanismos da lngua.

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